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NotíciasAviação Geral movida a AVGAS atinge seu menor nível em 19 anos!16/04/2019

Segundo dados da ANP - Agência Nacional do Petróleo, em 2018 o Brasil teve seu menor volume de vendas de gasolina de aviação desde 2000. Estamos falando da venda, em um ano, de pouco mais de 48,4 mil m³ de combustível, contra 75,9 m³ comercializados em 2000 e 76,9 mil m³ em 2013. 

No nosso segmento, é lógico que o volume de combustível comercializado para a operação das aeronaves é o indicador mais importante para a medição do movimento. Quanto mais combustível vendido, maior o movimento. Quanto menos gasolina vendida, menor o movimento de aeronaves a pistão.

Se a completa falta de uma politica para o setor precisa de um medidor para a catástrofe que produziu, esse não poderia ser mais emblemático: nunca a frota brasileira de aeronaves a pistão voou tão pouco, nesses últimos quase 20 anos.

É claro que a má performance econômica pode explicar parte desse problema. Mas explica pouco, pois as vendas de QAV (querosene) foram afetadas em grau muito menor, em 2015 e 2016, iniciando recuperação em 2017 que se consolidou em 2018. O volume de 2018, de QAV vendido, foi 65% maior do que em 2000. 

Ou seja, o mercado de querosene quase dobrou em 19 anos, enquanto o de gasolina de aviação praticamente se reduziu mais do que pela metade.

Essa verdadeira catástrofe afetou o celeiro da aviação, que conta com uma frota de mais de 11.000 aeronaves matriculadas no país, mais de 20 mil aviadores, dezenas de escolas de aviação, empresas de serviços aeroagrícolas, centenas de oficinas, milhares de mecânicos, dezenas de fabricantes e montadores de aeronaves. Mais de 2.500 campos de pouso no Brasil só são operados pela Aviação Geral, que supre 100% da mão de obra consumida pela aviação comercial.

As autoridades aeronáuticas brasileiras que estiveram a frente do setor, ao longo dessas duas décadas, se não possuem, devem ter consciência das suas políticas anacrônicas, complexas, improdutivas e desacertadas. Aeroportos que expulsam aeronaves e extorquem pilotos dão esse tipo de resultado! A combinação do descaso com a incompetência simplesmente destruíram um setor inteiro, semeado ao longo de 70, 80 anos. Políticos que ignoram o efeito dos impostos sobre a gasolina de aviação também colaboram para esse completo desastre.

É claro que esse sinal é mais do que vermelho para quem sonha em ver a aviação brasileira de amanhã, melhor do que a de hoje. A AOPA Brasil não descansará por causa de más notícias, mas trabalhar com a verdadeira noção do problema é fundamental para encontrar soluções.

Sem união e trabalho dos bons, não se recuperará o que uma geração de incompetentes causou àquela que já foi uma das maiores aviações gerais de pequeno porte do mundo.




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